segunda-feira, 25 de junho de 2007

qualquer coisa doida dentro do ponche

Michel Gondry que me perdoe, mas a minha ciência do sono foi beleza pura, na noite da primeira sessão do agora chamado Ponche Cineclube – o cineclube que virou suco*. Infelizmente a gente se esmerou tanto em preparar comida, em deixar tudo bonitinho (Ana B arrumando motivo pra enfim deixar a casa em ordem), em esperar pelo portador do vinho e do filme... E conversou tanto antes de assistir qualquer coisa, e depois de ver o curta que abriu a sessão, e durante o jantar – que antecedeu Gondry... Que eu mesma fui engolida pelo peso do acúmulo dos dias e sandman chegou e encheu meus olhos. Dormi, caros leitores. Dormi lindo, embora tenha visto boa parte do filme, entrecortado pelos meus próprios sonhos. Se eu pelo menos lembrasse...


O fato é que duramos até as 5h20 da matina, a conversa não acabava nunca, partindo dos filmes pras produções locais, pras estratégias do nosso ‘fazer audiovisual’ (expressãozinha besta), pra o definitivo formato um tanto quanto gelatinoso do nosso cineclubinho. Adeus, Chez Moi, bem-vindo Ponche, que já nasce com slogan, com blog, com marca, sede (itinerante), grupo-base e sacanagens anexas. Escolhemos o filme da próxima sessão e a casa que há de nos acolher, nós e nossa jarra de PONCHE! Upalalá, será bom e refrescante, ao menos!


Juro que verei bem atentamente o filme, já que combinamos horário-limite pra começar... Merci, mes amis.


L. de Liuba


* na verdade parece que vingou a sugestão de Bruno, então: Ponche – o cineclube que virou suco cineclube. :)

domingo, 24 de junho de 2007

Algodão doce

Doce formado a partir de açúcar cristalizado e fabricado em máquinas especiais, o algodão-doce é normalmente comercializado em feiras, praças, circos e cinemas, e possui uma cor branca ou rosa (explicação via wikipédia). Parece uma nuvem ao alcance de nossas bocas pronta para se desmanchar e sumir por completo, mas que guarda em si uma ótima sensação de efemeridade. È mais ou menos assim que penso no filme ‘A ciência do sonho’, primeira sessão do Ponche Cineclube.

Ao realizar seu filme mais pessoal, Gondry mostrou que seu interesse pelo cinema reside na possibilidade de fabricar sonhos e traquinagens a partir dessa ‘máquina tão especial’. O filme parece uma brincadeira de criança arteira, cheia de energia e pronta para passar o dia todo fazendo mais uma de suas invenções geniais e divertidas. O lado bom é que a criança Gondry é também um dos mais habilidosos cineastas da atualidade a trabalhar com as potencialidades criativas de efeitos especiais e técnicas de manipulação da imagem. O lado ruim é que não tem muita consistência, não nos parece uma obra que perdurará por muito na memória.

Stepahne é o alter ego de Gondry e Stepahanie é certamente a mulher que Gondry diz que o rejeitou. Nos parece ótimo pensar que um filme que custou 10 milhões de dólares (mesmo sendo baixo para os padrões industriais) foi realizado prioritariamente como forma de terapia pessoal. Algumas pessoas desabafam seus sentimentos amorosos, e principalmente o da rejeição, em desastrosas poesias melosos e piegas. Gondry fez o filme, isso já mostra o seu caráter inventivo.

Talvez Gael Garcia não tenhas sido uma escolha muito acertada. Por mais que ele não esteja ruim no papel do tímido e sonhador Stepahne, um ator com mais cara de leso seria mais adequado, e isso me faz lembrar de Adam Sandler em Embriagado de Amor, filme que carrega uma certa dose de familiaridade com este que estamos a comentar.

Acho que estou otimista, pois enquanto todos (incluindo o próprio Gondry) afirmam que Stepahanie (ou Érica para os mais íntimos..heheheh) via apenas uma relação de amizade com Stepahne, sendo essa a causa de sua rejeição, eu ainda penso que ela é tão igual e perfeita para ele, que se assusta com a possibilidade eminente de amá-lo. Se não foi assim na vera, talvez Gondry tenha mudado um pouco no filme apenas para melhorar sua auto-estima.

Ah!! A sessão foi ótima. Eu cheguei pontualmente, mas o filme só foi exibido após meia noite, três xícaras de vinho, dois pratos de arroz doce e o curta carioca ‘O latido dos cachorros não altera o percurso das nuvens’.

p.s. Todos irão dizer que eu atrasei a sessão, chegando depois das 20h30. É mentira. Não acreditem. Trata-se de um complô maquiavélico sem nenhum motivo aparente.

A ciência do sonho



A primeira sessão do Ponche, acontecida na casa de ana b/bruno no dia 19 de junho, contou com o mais recente filme de Michel Gondry, o gênio por trás (e na frente) do curta youtubiano 'Michel Gondry Solves a Rubiks Cube with his Nose'. Chama-se 'A ciência do sonho', e foi realizado de forma bem independente por Gondry, ao receber carta branca após o sucesso de 'brilho eterno...'. Ele declarou ter feito seu filme mais autobiográfico e intimista.

Sinopse: Stepahne conhece Stepahanie. (+ comentários nos posts seguintes)


[FICHA TÉCNICA:"A CIÊNCIA DO SONHO"]
Título original: The Science of Sleep
Gênero: Comédia - Drama - Fantasia
Duração: 105 min
Origem: França
Estréia - EUA: 22 de Setembro de 2006
Estúdio: Warner Independent Pictures
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Michel Gondry
Produção: Georges Bermann
Elenco: Gael García Bernal, Charlotte Gainsbourg, Alain Chabat, Miou-Miou, Pierre Vaneck, Emma de Caunes, Aurélia Petit, Sacha Bourdo, Stéphane Metzger, Alain de Moyencourt.

p.s.: A receita do jantar especial feito por ana b, colocaremos depois neste mesmo post. (2) Não deixem de assistir o video indicado logo acima. (3) basicamente se tratava de um arroz meio doce e amarelado, mas depois ela explica melhor.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

manifesto e carta de princípios

distração caros leitores,

mais um cineclube caseiro no mundo acaba de ser inaugurado.
sem regras, mas com princípios... sem pudor, mas com vinho de classe média em promoção no pão de açucar ... sem lugar fixo, mas com uma jarra de abacaxi itinerante (a ser adquirida)...enfim, ponche.

E para iniciar as babaquices e inteligentices que farão parte deste blog por muito tempo, nada mais apropriado que o texto de ana b, feito sob medida para integrar o primeiro zine (corram, a edição é ltda) do referido cineclube.

na íntegra:
"a casa, o cinema e a comida. os 3 elementos básicos para a existência do movimento cineclube caseiro. além, é claro, da possibilidade de fugir da programação-roubada das salas comerciais de JP e de evitar q a casa se torne um tédio total. enfim, Chez moi (agora Ponche) surge com a missão de invadir a casa e criar uma atmosfera cinéfila, familiar e gastrônomica.
p.s.: essa idéida foi testada outrora no êfemero CINE.GULA (apenas uma edição) mas desta vez parece ser diferente. por favor, sócios.

carta de princípios:

1.exibir o que bem entender desde que os sócios estejam de acordo. Escolher a data e o filme da próxima sessão.
2.as sessões podem ser itinerantes, alias, devem ser.
3.o convite deve ser feito, preferencialmente, por telefone ou ao vivo.
4.as comidas devem ser apetitosas, podendo ser feitas em casa ou encomendadas num delivery. Ah, deve haver um caixa para dividir as despesas com comes&bebes.
5.podem ser programados jantares-dançantes.
6.
(mais tópicos podem surgir a qualquer momento)"

Parafraseando Grouxo Marx, "estes são os nossos princípios, se vocês não gostarem deles, temos outros".

pois então tá, aguardem comentários meus, de liuba, ana b, bruno de sal e convidados após cada sessão.