Doce formado a partir de açúcar cristalizado e fabricado em máquinas especiais, o algodão-doce é normalmente comercializado em feiras, praças, circos e cinemas, e possui uma cor branca ou rosa (explicação via wikipédia). Parece uma nuvem ao alcance de nossas bocas pronta para se desmanchar e sumir por completo, mas que guarda em si uma ótima sensação de efemeridade. È mais ou menos assim que penso no filme ‘A ciência do sonho’, primeira sessão do Ponche Cineclube.
Ao realizar seu filme mais pessoal, Gondry mostrou que seu interesse pelo cinema reside na possibilidade de fabricar sonhos e traquinagens a partir dessa ‘máquina tão especial’. O filme parece uma brincadeira de criança arteira, cheia de energia e pronta para passar o dia todo fazendo mais uma de suas invenções geniais e divertidas. O lado bom é que a criança Gondry é também um dos mais habilidosos cineastas da atualidade a trabalhar com as potencialidades criativas de efeitos especiais e técnicas de manipulação da imagem. O lado ruim é que não tem muita consistência, não nos parece uma obra que perdurará por muito na memória.
Stepahne é o alter ego de Gondry e Stepahanie é certamente a mulher que Gondry diz que o rejeitou. Nos parece ótimo pensar que um filme que custou 10 milhões de dólares (mesmo sendo baixo para os padrões industriais) foi realizado prioritariamente como forma de terapia pessoal. Algumas pessoas desabafam seus sentimentos amorosos, e principalmente o da rejeição, em desastrosas poesias melosos e piegas. Gondry fez o filme, isso já mostra o seu caráter inventivo.
Talvez Gael Garcia não tenhas sido uma escolha muito acertada. Por mais que ele não esteja ruim no papel do tímido e sonhador Stepahne, um ator com mais cara de leso seria mais adequado, e isso me faz lembrar de Adam Sandler em Embriagado de Amor, filme que carrega uma certa dose de familiaridade com este que estamos a comentar.
Acho que estou otimista, pois enquanto todos (incluindo o próprio Gondry) afirmam que Stepahanie (ou Érica para os mais íntimos..heheheh) via apenas uma relação de amizade com Stepahne, sendo essa a causa de sua rejeição, eu ainda penso que ela é tão igual e perfeita para ele, que se assusta com a possibilidade eminente de amá-lo. Se não foi assim na vera, talvez Gondry tenha mudado um pouco no filme apenas para melhorar sua auto-estima.
Ah!! A sessão foi ótima. Eu cheguei pontualmente, mas o filme só foi exibido após meia noite, três xícaras de vinho, dois pratos de arroz doce e o curta carioca ‘O latido dos cachorros não altera o percurso das nuvens’.
p.s. Todos irão dizer que eu atrasei a sessão, chegando depois das 20h30. É mentira. Não acreditem. Trata-se de um complô maquiavélico sem nenhum motivo aparente.
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