quinta-feira, 26 de julho de 2007

na turquia

construção do absurdo.

samuel fuller dizia que o cinema era um campo de batalha: precisa haver paixao, morte, vingança, sangue, precisa pulsar, correr risco, se aventurar. O abismo de mil pés aguarda em vão o corpo esguio...

como alguém pode viver sem ter assistido a Bang-bang?
(eh claro q eu sei a resposta, mas e daí?)

não se deve assistir aos filmes de tonacci, é preciso vivenciá-los. mergulhar no abismo. no caos, tudo é imperfeito, incompleto, tudo é desordem, confuso. loucos são aqueles que não morrem a cada dia. bang-bang dá vontade de fazer um faroeste, de ser john ford e se aventurar nas montanhas rochosas da américa do norte, e lá filmar com índios, com heróis bonzinhos e bandidos inescrupulosos. e olha que nunca curti muito poesia concreta.

blá blá blá

só faltava angela carne e osso emcima do conversível em direcão a ilha dos prazeres.

em 1ª pessoa > quando acabou a projeção, olhei para o meu lado oposto, me encostei na parede preta/branca que nos envolvia em seu póstumo silêncio e decidi que não havia mais de pensar nela. a bailarina se foi, e com ela algo se perdeu.

o ponche de melancia estava ótimo. a comida, providencial. a confraternização foi bem peculiar. o zine aguarda ser xerocado. sim, "o sol há de brilhar mais uma vez". pensando melhor, acúleo me parece um personagem de cronenberg saído do filme 'mistérios e paixões'. quinta-feira é um bom dia. não importa se é real ou ficcao (?) ok, estou repensando a discussão sobre material bruto e seus personagens. fellini nasceu na Itália, assim como tonacci.

agora seremos felizes.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

partaqui, partacolá

Vamos por partes, que faz um tempinho que a mais recente sessão do Ponche aconteceu e de repente fica mais difícil escrever. Então pode ser que as observações estejam meio fora de ordem, meio fora de ritmo e, sobretudo, meio fora da realidade... Mas o fato é que foi uma sessão ótima, na casa de Alex e Eliza - super-aconchegante e perfeita para receber amigos. Imagino eu que quando são queridos é ainda melhor... Dessa vez ainda não pude ver a cara do fanzine que os poncheiros Bruno e Arthur ficaram de fazer e que acabaram deixando a cargo de Alex. Safados. Quem sabe na próxima edição, que ainda não foi marcada devido a compromissos de uns e de outros, a gente veja enfim a arte bangue-bangueana que surgiu pós-sessão!


Bom, não vou exagerar na minha dose e acabo esse primeiro capítulo aqui, dando boas vindas ao casal sensacional e dizendo que a comida, cheia de cara de gororoba, estava uma delícia, realmente (valeu, Ana B.). E que, espantosamente, as 5 garrafas de vinho foram uma boa conta!! Meu Deus.


Um abraço e até já, já com mais um pequeno capítulo. Bang-bang, pei-pei.


L. de Liuba

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Saque!


na foto > acúlio velho

A composição do quadro é de empenar o cabeçote: um cadillac conversível está capotado na beira de uma estrada deserta e pega fogo. a fumaça preta, no preto e branco do filme mais preta ainda, flutua e não pára um só instante. De súbito, porém, chega o jipe que era perseguido pelo cadillac e pára para prestar socorro. Peréio, o motorista, desce para acudir um corpo desmaiado, é um dos três bandidos que está no chão. Daqui a pouco, todos, os três bandidos e a dançarina espanhola (namorada de Peréio) vão embora no jipe. Peréio fica, outro rolo se segue e o filme não acaba, o meio físico em que está acaba. Surge um revés diabólico na mente: afinal, a gorda que parece com otto e passa o filme inteiro mastigando é ou não é a mãe de Acúlio, o menino que não tinha cu?

Certa vez, num ano novo indiano celebrado na fazenda boi só por ingleses filhos de indianos, foi servido um curry e um arroz em calderões de 20 litros. O primeiro, cor de terra, era composto por vegetais e levava pimenta pra caralho. Pra aliviar, o arroz que acompanhava era amarelo e também tinha pimenta pra caralho. Resultado, no meio do jantar, Acúlio, que não parava de comer um só instante, percebeu que só ele não tinha levado em consideração que no outro dia a pimenta em excesso poderia por seu cu em polvorosa. Ele não tinha cu, então concluiu: quem tem cu tem medo. Era setembro.

Intersecção de juventude em marcha com videodança. Material bruto, o filme, lapida e subverte pedro costa. Viva, um achado sem tamanho, uma pérola, o juízo final, como diria Acúlio:

Gm Ab7 D7
O sol....há de brilhar mais uma vez
Cm Eb7 D7
A luz....há de chegar nos corações
Gm Ab7 D7
O mal....será queimada a semente
Cm D7 Gm G7
O amor...será eterno novamente
Cm D7 Eb D7
É o Juízo Final, a história do bem e do mal
Cm D7 Eb D7
Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer

Repete a música 2 vezes:Gm G7

Cm D7 Gm G7
O amor...será eterno novamente

Cm D7 Gm G7

ps:. Alex, torcemos por Acúlio passado a limpo em a4 digital; taí o bócio que tinha prometido, agora só falta pintar o danado de verde e arrumar gente pra ele sair matando. Forte abraço.

bruno.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Bang-bang



Cedendo a pressões femininas, que insistem na idéia de termos um post bonitinho antes do avacalho, segue informaçoes precisas sobre o filme exibido na 2ª sessão do ponche, acontecida na casa de Alex/Elisa no dia 05 de julho (quinta). Eis que a preciosidade chama-se Bang-Bang, de Andrea Tonacci, uma das obras mais fodásticas do cinema marginal. precisa dizer mais?

sinopse
Homem neurastênico que, durante a realização de um filme, se vê envolvido em várias situações como o romance com uma bailarina espanhola, perseguições, discussões com um motorista de táxi e o enfrentamento com um bizarro trio de bandidos.

Ficha Técnica
Título Original: Bang-Bang
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 93 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 1970
Distribuição: Sobreimpressão Produção e Distribuição Filmes
Direção: Andrea Tonacci
Roteiro: Andrea Tonacci
Produção: Total Filmes e Sobreimpressão Produção e Distribuição Filmes
Música:
Fotografia: Thiago Veloso
Desenho de Produção: Andrea Tonacci e Milton Gontijo
Edição: Roman Stulbach

Elenco
Paulo César Pereio
Abrahã Farc
Jura Otero
Ezequiel Marques
José Aurélio Vieira
Thiago Veloso
Antônio Naddeo
Thales Penna
Milton Gontijo

Antes, assistimos ao curta 'Material Bruto', do jovem cineasta Ricardo Alves júnior, mais um mineiro de grande talento e bom gosto.
SinopseAfora nos corredores do edifício caminha a Mulher Náusea. Adentro Mulher Cabelo , Homem Cigarro e Homem Musica esperam o momento de fuga, um instante para sair de si. Material Bruto e um trabalho realizado com usuários do centro de convivência da rede pública de saúde mental na cidade de belo horizonte.


Agora, ao avacalho senhores e senhoras.

domingo, 1 de julho de 2007

Chez moi, o cineclube que virou ponche

Alguém falou em arroz-doce? Não vejo razão para chamarem de arroz-doce-picante o indiano frango com açafrão, preparado com muito esmero. É certo que o grau de união dos grãos ficou um pouco acima do normal, descuido? Ninguém duvide: esse frango não é um mero prato de arroz-doce, juro.

Voilà, a receita!


Frango com açafrão

(Kesaria murg)


400g de arroz-agulhinha

400g de peito de frango

750ml de água

1 pau de canela

2 malaguetas

3 sementes de cardamomo

3 cravos

½ colher (sobremesa) de açafrão

2 colheres (sopa) de amêndoas, 2 de passas e 4 de óleo

Sal


Modo de fazer

Saltei as amêndoas inteiras e as passas numa frigideira, com metade do óleo, mexendo de vez em quando, até que as amêndoas fiquem douradas. Escorra e reserve.


Saltei, no mesmo óleo, em fogo alto, durante 5 minutos, o frango, cortado em cubos e temperado com as malaguetas cortadas em pedaços. Escorra e reserve junto com as amêndoas e as passas.


Misture, numa panela larga, o arroz com as outras 2 colheres de óleo, até molhar todo o arroz. Adicione o açafrão, a canela desfeita, as sementes de cardamomo (amassadas ou inteiras), os cravos, o sal e a água quente. Misture, tampe e deixe cozinhar durante 20 minutos no fogo bem baixinho.


Junte o frango, as amêndoas e as passas ao arroz. Misture e deixe descansar por 5 minutos antes de servir.